quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Chegou a hora.

Hoje recebi uma notícia não muito agradável: meu carro foi roubado. Em frente a minha casa. O carro todo, nem as marcas de pneu ficaram pra trás. Junto com ele, meus CDs sertanejos, GPS, óculos escuro, algumas moedas, uma toalha suja e o controle do portão do meu prédio em Poços de Caldas. Achei propício o momento para voltar a escrever. Estou puto. Mas isso não irá mudar nada. Então, vida que segue. Escrever me acalmará. Não irei falar mal do bandido, a vida dele já deve ser uma desgraça, um pensamento negativo a mais não vai piorar muita coisa e meu intuito nem é esse.

Prefiro atualizá-los sobre alguns fatos que ocorreram nos últimos dias, um deles em especial tem o poder de definir os rumos de minha vida.

No dia 13 de novembro fui para Caraguatatuba (litoral norte de São Paulo), comemorar o aniversário de 70 anos de minha avó. Além da felicidade por reencontrar alguns familiares, passei um final de semana muito agradável em um dos meus lugares preferidos. No condomínio onde Dona Alzira reside tem uma cachoeira, diferente de todas as outras que já visitei, responsável por me instigar toda vez e proporcionar sentimentos inexplicáveis. Sei que, quando estou lá, sinto-me forte, energizado – momento propício para refletir sobre a vida e agradecer por tudo e todos que compõem minha essência. Dessa vez, tentei captar a energia da natureza através de minhas mãos, colocando-as em contato com a parte mais densa daquela queda de água. Mãos estas, que marcaram os melhores momentos da minha vida: apertos de mão para pessoas respeitadas; abraços em pessoas amadas; ao concretizarem várias defesas na minha época de goleiro – em seguida, utilizava-as para bater no meu peito como sinal de força e satisfação pelo dever cumprido; mãos que se cruzaram com outras (de namoradas especiais que tive); mãos que são compostas pelos dedos que já enxugaram muitas lágrimas, minhas ou não; mãos que me permitem escrever e que até pouco tempo atrás controlavam meu carro.

Foram essas mãos que escreveram minha postulação (todo conteúdo fornecido pela mente obviamente) e consolidaram o primeiro passo para o grande desafio da minha vida: candidatar-me à Presidência da AIESEC no Brasil. Gustavo, para que falar das mãos? Boa pergunta. Acredito que o que me levou a escrever isso foi o impacto daquela singela experiência na cachoeira. Algo único e novo para mim. Por estar sozinho, pude vivenciar e perceber somente aquele acontecimento. Esqueci de tudo, presenciei apenas o ‘’Agora’’, valorizei pequenas coisas, como nunca havia feito. E ao fazer isso, resgatei emoções, lembranças e aprendizados que tive durante minha passagem na Terra até então. Passei a enxergar problemas como desafios, se eu não resolvê-los ninguém fará isso por mim e solucioná-los é uma oportunidade de desenvolvimento. Para quê me estressar? Ganhar alguns cabelos brancos e perder a paciência não me levará a lugar nenhum, de um jeito ou de outro terei que mudar a situação. Aceite isso, corra atrás!

Sofrimento só me faz perder tempo. ‘’Ah, então agora o doutor não sofre mais!Bonzão!’’. Não é bem assim, mas não é muito complexo. Tudo que se planta um dia se colhe. Eu sei que você já escutou e falou isso várias vezes, mas estudou a profundidade da frase? Sofrer é resultado daquilo que geramos para nós mesmos ou resultado do destino, da vida por si só. Se remoer não mudará nada. Agora, tentar aprender com o que aconteceu, ai sim alguma evolução poderá ser percebida. O passado nos ensina e o futuro nos espera. Sempre ficamos incomodados com o que já foi ou preocupados demais com o que irá acontecer. Quando algo sai do planejado, fraquejamos. Tudo porque não enxergamos o aprendizado nas dificuldades, derrotas e quebras de expectativas. Apenas nos deixamos sofrer. Viva dia após dia, sabendo que suas ações agora moldarão seus próximos anos, ciente que o que acontece hoje é um desafio que a vida te propõe, aproveite e se fortaleça. Agora é seu momento, não foi ontem, nem será amanhã.

Agora. Nada além.

E por toda essa reflexão me senti preparado para tentar assumir uma organização de mais de 2.300 membros, representar um dos melhores países dentre os 107 onde a AIESEC está presente, contribuir com o desenvolvimento de pessoas – algo que move minha vida, fazer a diferença através de meu trabalho e lutar por um mundo melhor. Sonhador? Se eu não buscar isso agora, ninguém fará por mim.

Se cuidem.

Beijos e abraços.