quarta-feira, 21 de julho de 2010

Dia do parto e a missão.

Se você está por dentro dos acontecimentos que envolvem minha vida entendeu, logo de cara, o significado do “parto”. Este, indolor fisicamente, talvez dolorido na alma pela saudade que vai gerar, mas, sem dúvida, repleto de aprendizado e boas histórias.

São exatamente 10:22 do dia 21 de julho de 2010. Em aproximadamente 360 minutos embarcarei para Moscou antes de ir para Ulaanbaatar, Mongólia, onde ficarei 3 meses dando aulas de inglês para crianças. Promete ser o início de uma longa viagem, que talvez dure 1 ano.

Sentiu a presença de incerteza na última frase, certo? Certíssimo! É ai que mora a graça da aventura que se aproxima.

A incerteza dá margem para novas possibilidades e pode proporcionar conquistas antes inimagináveis. Isso é bom e raro. Por outro lado, a incerteza pode destruir nossos planos. Isso é ruim e comum.

Ela tem “grandes” poderes, inclusive o de nos deixar desesperados sem motivos. É quando se camufla de ansiedade e bombardeia nossa mente com pensamentos “e se?”. E se não temos uma defesa preparada para o ataque (já voltarei nesse ponto), ferra-se tudo – a incerteza nos engana e nossa tomada de decisão - no fundo - falha. Entenda “falhar” como deixar de fazer o que ama e o que te dá prazer para se dedicar ao que a sociedade valoriza. E é depois que falhamos que percebemos (OU NÃO) qual é o principal alimento da incerteza: a racionalidade.

Esta inibe nossa intuição, nos faz valorizar mais padrões do que sentimentos e vontades autênticas, enaltece o material e apaga o espiritual, alimenta sonhos com o ego, nos faz viver pró-status e transforma o tempo no nosso pior inimigo. Através da racionalidade, o ser humano teve a capacidade de criar ricos empobrecidos e os tornar espelho, exemplos de vida a serem seguidos. Isso é péssimo.

Por que estou falando isso? Pois para mim, Gustavo, essa viagem tem um propósito maior do que uma simples travessia de fronteiras. É o momento que tenho para aproveitar o lado bom da ansiedade que estará presente comigo o tempo todo, naturalmente. Será a oportunidade de sair do meu mundo, imergir em outro, reafirmar ou redescobrir meus valores e, principalmente, minha missão de vida. Qual minha utilidade para a Terra, é o que quero descobrir. Leia “missão de vida” como a defesa que necessitamos para combater a ansiedade e alimentá-la com aquilo que transporta nossa real essência, a intuição.

Um estudioso da origem do Planeta Terra uma vez afirmou que quanto mais se aprofundava nos segredos e peculiaridades da vida/natureza, mais tinha certeza de que Algo Maior/Superior sempre soube que os seres humanos chegariam um dia. Eu também tenho essa certeza. Minha intuição que disse. Eu não ganhei uma vida simplesmente por ganhar. Isso não seria justo. Estamos aqui por algum propósito positivo. Pode ser que cada um tenha o seu e é até melhor que seja assim, mas no fim tudo se torna único, verdadeiro e cheio de luz se movemos nossa vida com Amor. Precisamos disso.

Mas uma viagem não basta. Só descobriremos nossa missão se nosso ciclo essencial estiver bem consolidado sempre. O que é o ciclo essencial? São as pessoas que estão a nossa volta, que despertam nossas emoções, que quebram nossos paradigmas, que nos ensinam. Aquelas que tornarão nossa missão realidade.

Família e amigos.

Sem eles, dificilmente suportaríamos as pressões que parecem existir no dia a dia. Com eles, descobri que amor de pai e mãe ganha sua forma mais esbelta no apoio e na confiança; que a tranquilidade dos amigos é um sinal de que tudo dará certo; que o olhar de um irmão nos dá a certeza de que algo será diferente (sentirei saudades Rafinha); que o carinho dos avós e das tias é algo insubstituível. Por ter eles, sei que problemas não existem, apenas desafios; derrota é um nome feio que deram para o aprendizado; e as conquistas são fruto do que plantamos.

Busque sempre sua missão e valorize cada segundo ao lado de seus entes queridos. Isso nos fortifica e nos dá um sentido.

Para tal, dê ouvidos a sua intuição. Há tempos que ela tenta se comunicar contigo.

Bom, pode ter sido um texto sem muito nexo, talvez de difícil compreensão (até para quem escreveu). Mas é um pouco do que se passa na mente de um jovem viajante, minutos antes de partir. Uma mistura de gratidão com reflexão.

Este será o último texto reflexivo. As reflexões aparecerão escritas em outro formato – não no blog – em um futuro próximo. Aqui, tentarei passar as experiências marcantes da viagem, com o intuito de incentivá-los a buscarem o novo, todo o dia.

Para finalizar, responderei abaixo o scrap que meu priminho, Pietro de 7 anos - que está no momento mais rico do aprendizado (ler e escrever) – deixou no meu Orkut quando brinquei se ele queria ir comigo.

eu ia gostar de viajar com vocé mas tomara que seja legal e divertido mas eu tenho que ficar com os meus pais e meus amigos entao se divirta na viagem abraso seu primo pietro. jau gustavo bonafé”

Pi, eu estarei com você, com minha família e meus amigos também. Pois vocês são minha essência...


Beijos e abraços. Cuidem-se.