segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Descobrindo Ulaanbaatar

Ei de concordar com meu amigo Tiago Maciel: ter um blog dá trabalho. Ainda mais quando se está no meio de um lugar desconhecido, onde os olhos quase não piscam. Atentos, vão de um lado para o outro numa velocidade incrível. Tudo é novo. Tudo é diferente. Letras, sons, carros, pessoas, prédios, casas, ruas, músicas, costumes. Mas, sei lá como, a sintonia é perfeita. E esse tudo se torna espetacular. Por isso que nós, viajantes, mantemos nossos blogs na ativa. Para incentivar. Dividir. Talvez cooperar com o seu sonho, enquanto vivemos o nosso. Para nós, é um prazer imenso.

Novamente, agradeço as visitas e espero de coração estar proporcionando a vocês – no mínimo – alguns momentos de tranquilidade/diversão durante a leitura. 

Como combinado, hoje irei escrever sobre Ulaanbaatar (UB – iubee), a capital da Mongólia.

País pobre. Desigualdade evidente. É normal achar modernos complexos industriais/residenciais no meio de casas mais simples. E é normal olhar nos arredores da cidade e ver montanhas maravilhosas com um céu azul de dar inveja a muitos lugares.

Após quase duas semanas por aqui, meu sentimento é de realização. Felicidade. Paz interior. Acho que é normal pro início de intercâmbio. Enfim... Por tópico pra facilitar a vida de quem escreve e de quem lê.

Pontos Turísticos

- Sukhbaatar Square (Parlamento da Mongólia)

Chinggis Khaan ao centro
- Zaisan Hill (Monumento em homenagem a união militar de Russos e Mongóis)


- Buddha Monument (Ah, não preciso falar que a maioria aqui é budista né?)


- Chinggis Khaan Statue (eu não sei mais como escreve, tem várias maneiras, mas ele é realmente querido - o monumento fica localizado a 54 km de UB)


- Gandantegchinleng Monastery (coisa bonita de se ver, infelizmente – ou felizmente – não se pode gravar ou tirar fotos das rezas budistas, mas é magnífico ver os monges juntos citando em bom tom os mantras de Buda, coisa de filme)



Essas latas arredondadas (de tamanhos diferentes) ficam em torno de todos os templos
É tradição dar a volta nas construções e girá-las (todas) para receber boas energias.
Enquanto giramos devemos dizer: Um Maani Badmi Hum (algo como "preciso de renovação")
Dentro do templo: estátua de Buddha.
Obs.: não podia tirar foto, meus alunos me enganaram. Nada aconteceu
Pessoas

Nos primeiros dias confesso que me sentia mal ao andar nas ruas. Quase todos olhavam para mim (do tipo virando a cabeça até eu me distanciar) e eu não enxergava um sorriso. Olhares desconfiados e alguns até ameaçadores. Tenso. Mas é fato. Ouvi várias histórias de alguns dos milhares de gringos que já estão aqui há algum tempo. Boa parte da população não é adepta da presença de estrangeiros aqui. Afinal, o país é pobre e quando esboça um crescimento “vem um ser de outro lugar pra tirar meu emprego”. Por esse motivo, o clã de estrangeiros aqui é forte. Sempre juntos, raramente se vê um mongol no meio. Pubs, baladas, restaurantes, tudo um pouco segregado nesse sentido. Logicamente, não se pode, nem se deve generalizar. Várias vezes fui cumprimentado simpaticamente na rua por moradores de UB, tenho amigos (incluso alunos) que são daqui e faço questão disso. Pessoas receptivas, atenciosas e carismáticas.

Óbvio que saiu com gringos, mas se tiver que escolher (senão houver a opção ambos) fico com os “nativos” (a essência de um lugar só é real quando a essência da companhia foi formada ali).

Só para se ter uma noção da diversidade de estrangeiros aqui, encontrei até agora gente dos seguintes países: Canadá, EUA, Escócia, República Tcheca, Alemanha, França, Itália, Rússia, Jamaica, Gana, Luxemburgo, República Dominicana, Polônia, China, Austrália, Nova Zelândia, Japão, Coréia do Sul, Holanda, Inglaterra e cansei.

Segurança

Pensa num cara 100% assustado ao andar nas ruas de noite? Multiplique o assustado por 10. Pronto, esse era eu nos primeiros dias aqui. A iluminação pública aqui é quase nula. Exceto nas vias principais. Só para você ter noção, olha minha visão na volta para casa (sem flash):
Fora isso, não é difícil achar bêbados nas ruas ou crianças “perigosas”. Fato 1. Primeira noite em UB, ao voltar para casa, 5 ou 6 crianças (até 10 anos no máximo) me cercaram e começaram a colocar a mão nos meus bolsos e falar: money, money, money. Espertinhas né? Não mais que eu. Obrigado São Paulo pelas lições de vida. Tudo guardadinho na pochete escondida. Num 1º momento as afastei com carinho (eram crianças), elas voltaram com um pouco mais de esforço, ai não teve como: empurrei com força e gritei alguns palavrões em português. Não sei mongol, as crianças só sabiam “money”  em inglês, então melhor xingar com gosto (\o/). Fato 2. Terceiro dia em UB, indo encontrar alguns amigos, um pedacinho de gente (5 anos no máximo) gruda na minha perna. Mãos e pés agarrados na minha canela. Balança daqui, balança dali e o moleque estava pior que aquelas bonequinhas que grudam na roupa. Uma mulher local (pra não falar mongol) me ajudou falando algo pra pequena criatura. Pra minha surpresa fiquei livre. Pra minha segunda surpresa o menino pegou uma pedra e jogou na mulher (que se defendeu com um violão). Pra minha terceira surpresa, a mãe estava vendo tudo e xingou (ao menos pareceu) a mulher que me ajudou. Acontece! Infelizmente. Bom, resumo da obra, tudo isso abriu meus olhos.

Trânsito e ruas

Caos. Inexplicável. O trânsito aqui é complicado de entender, pouquíssima sinalização, diversos cruzamentos confusos, motoristas agressivos, usar o retrovisor é raro e o sinal de pedestre não tem nexo. Está verde! Do inferno, surge um carro que quase te acerta. E buzinar é água. Não param um minuto. Ou seja, não é incomum ver um guardinha no meio da rua tentando colocar ordem na casa.
Já as ruas, a maioria é mal asfaltada, muitos buracos, muitos. As calçadas são basicamente pedra + terra (exceto avenidas principais) e em dias de chuva fica um pouco complicado não chegar em casa com lama na calça.
Comida

Em “cidade grande” (aprox. 1 milhão de habitantes) encontra-se de tudo, menos MC Donalds e grandes franquias. Nada disso por aqui. Comida asiática tem espalhada por todo canto e o preço acaba sendo baixo nos restaurantes. Tem até um restaurante brasileiro (Bonito), mas ainda não pude ir. A comida mongol é levemente apimentada, muitos legumes, arroz e carne, nada exótica (até agora) e muito saborosa. Um dos pratos mais típicos daqui é o Khuushuur. O modo de preparo estava escrito no cardápio de um restaurante fino que fui: The meat, either beef or mutton, is ground up and mixed with onion (or garlic) salt and other spices. The cook rolls the dough into circles, then places the meat inside the dough and folds the dough in half, creating a flat half-circular pocket. The cook then closes the pockets by pressing the edges together. Coisa xique, não? 3 pedaços + salada. Eu não acreditava no que estava vendo. Não era possível. Primeira mordida: WADAFÃK! Gorduroso, como na feira. Era pastel de carne. Puramente isso. O pior foi pagar USD 7 por três. Mas tá valendo. 

Quanto preciso para sobreviver em UB?

Se você quiser mandar um SMS, vai gastar menos do que R$ 0,03. Comprar um celular? Gastei R$ 34,00 num básico da Nokia. Comprar um cavalo? No máximo gastará R$ 400,00 e eu não estou brincando. Até já moldei uns planos na mente aqui (aventura!). No geral, comida e bebida saudável custam uns 40% a menos que no Brasil. Agora, bebida alcoólica (vodka especialmente), ah querido (a) leitor (a), é barato. Uma das melhores vodkas nacionais (Chinggis Khaan) sai pela bagatela de R$ 8,00 a garrafa. Por isso é fácil encontrar gente com passos tortos nas ruas. Pessoal curte virar o caneco.

Um dólar equivale a 1.340 Tugriks. Imagina a confusão. Um monte de dinheiro, notas de diferentes valores e pior, tamanho. Não dá pra fazer o rolinho perfeito. Para se ter idéia tem notas de: 10, 20, 50, 100, 500, 1.000, 5.000, 10.000 e 20.000.
Notas de 100 e 500. Na primeira um outro herói da Mongólia (Sukhbaatar).
Na segunda, adivinha? Chenggis Khaan
Lazer

Até então, fui em algumas festas “privadas” de estrangeiros, um festival de rock, cinema, uma festa histórica e acampar. A festa histórica e o acampamento eu deixarei para futuros posts. Mas adianto o resultado da balada: dança no palco e aparição na mídia nacional (da Mongólia). Fui entrevistado, ao vivo. Em breve, em breve... =p (espero achar a matéria).
Focarei aqui no festival de rock que fui. Ooo música boa. Sério! Curti demais. Fora que o local era sensacional, perto das montanhas. Pessoas bonitas e um futebol rolando solto nos gramados. Diversão!
Obs.: Nesse evento, também apareci na TV, estou atrás do vídeo. Ficam ai algumas fotos.

Finish galera. O começo, no compito geral, não foi tão fácil quanto achei que seria. Existem pontos negativos aqui. Como qualquer outro país. Desafios pela frente. E outra, se eu quisesse moleza ficava em casa, deitado no meu sofazinho assistindo Telecine. A graça de viajar é essa: conhecer a realidade (e não me refiro à realidade de um país, mas de pessoas e condições de vida). Aqui tenho uma pequena amostra, mas essa com certeza que se replica para outros cantos do mundo. Vidas precárias, às vezes desumanas. Por outro lado, o entorno desse cenário te reserva visões incríveis, bonitas, marcantes.

Salve a natureza, porque ela, no mínimo, alivia nossas angústias e encaixa o esplêndido no que destruímos. 

Beijos e abraços. Até a próxima.

Mais fotos? Orkut Facebook Picasa