sábado, 12 de setembro de 2009

Para toda a vida.



O avião acaba de decolar. São 18 horas e 43 minutos em Londres do dia 6 de setembro. É o início da minha viagem de volta para casa. Nos últimos 26 dias passei pela experiência mais marcante da minha vida. 12 horas de viagem me esperam pela frente. Tenho que fazê-las valerem. No início, li um pouco da minha nova aquisição literária: Barack Obama for Beginners - para tentar entender um pouco mais sobre essa figura única, amado em grande parte do mundo ‘’apenas’’ por seu carisma. Logo depois, cheguei em Zurique (Suiça) para fazer conexão do vôo. Enquanto esperava o avião, adiantei algumas coisas do trabalho. Já dentro da aeronave, erroneamente tirei meus sapatos para ficar mais confortável. Sabe como é: nos últimos dias de viagem as meias começam a ser usadas mais de uma vez e liberam um odor não muito agradável - carniça. Desculpem o detalhe. Enfim, tinha mais 11 horas pela frente. Assisti ‘’Uma noite no museu 2’’, durmi um pouco - porque ninguém é de ferro - e então decidi: vou refletir! Comecei a lembrar de todos os momentos do Congresso Internacional da AIESEC. Lembro claramente da primeira experiência de impacto: na cerimônia de abertura foi apresentado um vídeo, daqueles motivacionais, falando sobre a organização e sua abrangência. Funcionou! Na tela, todos os nomes dos 107 países apareceram. Naquele instante não me contive. Uma mistura de sentimentos de responsabilidade, emoção e expectativa me fizeram ficar arrepiado, ao mesmo tempo em que lágrimas tímidas – limpadas com meus dedos indicadores (dramático)- saiam dos meus olhos. “Mais de 100 países”. Durante 2 anos na AIESEC isso era apenas uma frase de impacto para mim. Em Kuala Lumpur, na Malásia, a frase se tornou realidade. Foram 12 dias intensos. Fiz amigos na Bósnia, Indonésia, Bolívia, Guatemala, Moçambique, México, Ucrânia, Moldova, Colômbia, Holanda, Alemanha, Gana, Tanzânia, Turquia, Tadjiquistão, Egito, Rússia, Porto Rico, Panamá, Argentina, Chile e por aí vai. Fiz reuniões com outros países para alavancar nossos resultados em intercâmbio e melhorar a qualidade de alguns processos de minha área (finanças). Escutei de um menino da Malásia: ‘’Eu quero mudar o mundo’’. Isso já ouvi muito, mas não com aquela convicção. Ouvi um africano dizer que pode mudar o meu mundo e que eu posso mudar o dele. Está louco? Não, ele tá certo. Em rodas de discussões, estava no meio de representantes do Afeganistão e dos EUA, de Armênia e Turquia, Brasil e Argentina (3 a 1), Alemanha, França, Inglaterra, países da África no mesmo local de pessoas dos países colonizadores. Estava num mundo em miniatura, preso em um hotel , com mais de 600 pessoas. Mas aquele mundo, estava distante do nosso. Lá, os esforços eram em conjunto. Todos estavam ali para gerar novas ideias, soluções e ações práticas para mudar onde vivemos. A paixão pela vida e a vontade de fazer a diferença movimentou negros, brancos, amarelos, etc. E, falando em paixão, achei que a minha pela AIESEC e pelo desenvolvimento que ela me oferece já estava no patamar mais alto possível. Estava enganado novamente. Fui surpreendido. De uma maneira inexplicável. Minha visão de mundo mudou de novo! Não agüento mais! Mentira! Brincadeirinha. O que faço hoje é o máximo que posso oferecer? Não. Nunca será! Como dizem livros e teorias de administração: a melhoria tem que ser contínua. E pelo menos para mim está sendo. Sinto-me energizado. Cheio de oportunidades. Não quero parar e voltar para faculdade ano que vem. Quero seguir minha vida aqui, em casa, na AIESEC. Posso ir trabalhar na AIESEC em Singapura, ou em Marrocos, ou em Moçambique. Quem sabe na Holanda, ou até mesmo lá pelas Américas. Algo mais aventureiro: Nova Zelândia. Ou mais ‘’tecnológico’’: Japão. Desafiador: Quênia. Chocante: Camboja. Posso parar de pensar nos meus passos futuros agora e voltar a minha realidade: Brasil.

Eeeee \o/

Essa última opção é mais viável no momento. Ainda tenho 10 meses de gestão. Muito e pouco tempo – depende do meu esforço. Milhares de tarefas a serem cumpridas, reuniões a serem feitas, conferências a serem entregues, estresses a serem passados, e-mails a serem respondidos e enviados, auditorias a serem feitas, planilhas e mais planilhas de Excel a serem usadas, decisões a serem tomadas, ideias a serem apresentadas, vitórias a serem obtidas, derrotas a serem transformadas em aprendizado. E eu tenho 10 meses! Vish! Assim como minha viagem de volta para casa está valendo, que esse tempo também seja bem utilizado. E será! De repente, paro de pensar no que passei. Uma sucessão de imagens de pessoas começa a vir na minha mente, como flashes. Professores, treinadores, colegas de trabalho, irmãos de trabalho, amigos, família, meu irmão, meu pai, minha mãe. Todos estão sorrindo para mim, parece que sabem que estou feliz. Volto ao meu passado. Por que estou aqui? Por causa dessas pessoas. Foram elas que consolidaram minha educação, minhas crenças, meus valores, meu comportamento. Não sei se tudo está certo. Sei que estou bem, pronto para tentar explorar o meu potencial como ser humano (e isso todos tem) para impactar positivamente a vida de outras pessoas. A todos que fizeram parte do meu ciclo de amizade e aprendizado: obrigado. Tenham a certeza de que os levarei para a vida toda.


Beijos e abraços.