terça-feira, 6 de maio de 2014

Que tal trocar a figurinha "Imagina na Copa"?

Dentro das dezenas de "pacotinhos de opinião" que abrimos, ganhamos, vemos ouvimos ou já temos conosco, uma figurinha tem saído com maior frequência: "imagina na copa". Sem dúvida, ela já esteve contigo, leitor (ou ainda está). 

Com ela, gratuitamente vem uma carga de negatividade, descrença, passividade, transferência de responsabilidade, indignação, tristeza, e por aí vai. 

Um conselho: trocá-la, LOGO. Ou rapidamente bater um bafo para tirá-la de sua coleção. Ou melhor ainda, rasgá-la e não deixar que ela chegue a outras mãos.

Não que ela não tenha sentido nenhum. Isso tem. Faz parte da coleção. E, lógico, existem outras figurinhas deste álbum que estamos experimentando colecionar em nosso país que também não são queridinhas e nem deveriam ser. Entretanto a "imagina na copa" é a que mais me incomoda por sua simplicidade supérflua. Ela virou um códice de "tenho opinião formada"; um símbolo para "lavo minhas mãos perante a situação, afinal, assim como você, também estou indignado"; um atalho para cultivar com palavras o que se repudia na prática. 

Como ouvi recentemente "a impotência é a maior violência que podemos praticar contra nós mesmos". Alimentar este sentimento dentro de si, sem se mover, é assumir categoricamente um papel de mais um espectador no meio da multidão. 

O mundo não mudará com comentários raivosos, mas com atitudes que inspiram. Com respeito, com paz. 

E vale lembrar: existe bondade em todos os cantos, assim como o mal sempre busca seu espaço onde quer que seja. Recentemente, assumi o desafio de fazer parte da realização deste evento (a-há!). E acredite, estou aqui porque acredito que o bom e o bem sempre podem prevalecer. Que seres humanos de verdade podem mudar tudo, acima de qualquer estrutura, acima de qualquer mau uso de recursos.

Questionar o país, os governantes e suas decisões será sempre válido. Mas temos que tomar um grande cuidado: o de não cair num limbo intelectual, onde a "ação" mais praticada é a fala, a crítica. E só. 

Bom, e neste desa-bafo, deixo uma lista de outras figurinhas que podem representar uma bela troca pela "imagina na copa": 

"Imagina eu fazendo a diferença"
"Pode vir de mim"
"Eu sou a mudança"
"Acordei, de verdade. Juro, veja o que eu estou fazendo"
"Eu posso inventar minha figurinha"

"O começo destas palavras é o mesmo: a letra f. Quem f-AZ, vai de A à Z, aproveita toda a jornada. Mas, quem só f-ALA, no fim, não sai do A."

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Espaço de Gratidão: Dojo Harmonia

Quinta-feira, 7 de março de 2013.
Um café despretensioso. 
Um Bueno. Um Bonafé. 
Desconhecidos entre si, até o primeiro aperto de mão. 
O que era para ser um convite singelo, transformou-se em uma grandiosa parceria. 

Naquele momento, entrei em contato com a Harmonia. Mais tarde, no mesmo dia, conheci o Dojo - espaço-fruto de um arquiteto social, sonhador e inquieto.

A orquestra de minha jornada ganhou então uma série de novos acordes, melodias, vivências, práticas. 

Aikido, Arte e Movimento brindavam à vida em uníssono naquele local sagrado. 
Ali, encontrei meu espaço de respiro. 
Ali, dialogava facilmente com meu eixo, minha essência. 
Ali, tinha a sensação de que os anjos sempre sorriam a cada final de treino, quando sentávamos no tatame em círculo para filosofar sobre tudo. 

Não me importava que a viagem até lá demorasse 1 hora. Afinal, o que são 60 minutos de esforço perto de aprendizados com validade eterna? 

O que importava era encontrar os parceiros de treino, era apreciar o poder da rede, era me inspirar com cada gesto, cada respiração. O que importava era que a simplicidade de lá, fez-me dar saltos complexos na carreira, na vida pessoal. 


Não pude estar lá neste momento histórico. Pois, como diz Bueno: "está tudo caminhando conforme o imprevisto". E meu imprevisto (que é super saudável) não me permitiu acompanhar a mudança de perto. 

Só que precisava celebrar essa história, que faz parte da minha e deixar registrado um pouco do tudo que ganhei. 

Gratidão Bueno, por tudo. 
Gratidão parceiros de jornada, por tudo. 
Gratidão Dojo Harmonia, por existir. 

Seguimos conectados, com novas formas, novos meios, mas totalmente juntos nessa imensidão de BONS IMPREVISTOS. 

"A Bondade em Pessoa"

Um forte abraço,
Bona. 

terça-feira, 8 de abril de 2014

Seja Infantil, por favor!

Gabriel acabara de completar dois anos de idade quando ganhou de seus primos um presente diferente. O tal, tinha base de madeira e, encaixados nesta, arcos de ferro com diferentes tamanhos e formas, revestidos por borracha. Também, bolinhas coloridas feitas de plástico, que se moviam entre os arcos. Algo tipo isso. Segundo o próprio garotinho, uma “montanha russa esquisita”. 

Não havia começo, nem fim. O brincar era puro. Não existiam metas.
Compenetrado em sua tarefa, cujos detalhes só ele sabia, Gabriel movimentava cores para lá, cores para cá. Alegre na maior parte do tempo, não deixou de enfrentar pequenas dores, pois pelas curvas dos arcos nem sempre as bolinhas passavam com fluidez. 

Gabriel estava em Kairós - o tempo de Deus, da natureza, não mensurável. Cronos - o tempo do homem, perceptível no relógio - não o pressionava. Afinal, o que importava naquele momento era a jornada, não o destino. 

De repente, palmas! Muitas palmas! Para ele mesmo! 

Uma auto-celebração que contagiou todo o ambiente, atingindo até os observadores que de fato nem observavam. Risos. Sorrisos. Mais risos. Só risos. 

A brincadeira chegou ao fim? 

Não. Compenetrado em sua nova tarefa, cujos detalhes só ele sabia, Gabriel partiu para uma outra jornada.


Imagine...

um mundo igual ao do Gabriel naquele momento. Onde o presente é aproveitado minuciosamente - nas cores e nas dores; onde o tempo que realmente importa é o tempo que nos damos, não o que marcamos. Um tempo que respeite ritmos, vontades e necessidades.
Um mundo em que a celebração, mesmo “auto”, seja constante e contagiante. Um lugar onde as metas são definidas pela liberdade dos envolvidos na entrega da tarefa. Liberdade, com consciência. De impacto. De relevância. De bondade. 


“Tique - táqui”

Ouço algo ao meu redor
Isso importa?
Não, caso eu esteja me divertindo. 
Caso o contrário, algo está errado. 

A única pressão que devo sentir é a do meu coração
Sinto a essência do que sou no que faço? 
Sim, celebro. Muito.
Não, corro atrás. Muito. 

Não é porque tenho vida que estou vivo.
Viver é algo muito mais amplo do que existir. 
A vida deve ser viva.
Viva!


Nota: este texto é o primeiro de uma série que será reunida em um livro - a ser lançado ainda este ano. O objetivo é enriquecer nosso olhar para a palavra INFANTIL. 

Espero que gostem ;) 

terça-feira, 25 de março de 2014

Parte de Mim que se Parte em Mim...

É intrigante perceber como a vida te propõe mudanças mesmo em momentos em que a felicidade, a prosperidade e o conforto estão presentes, e em harmonia.

Mas a vida não é ingênua, pois sabe que foi nos dada para que grandes feitos sejam realizados; sabe que foi nos dada para que nossa essência se desperte e amadureça em sua total plenitude e potencialidade. Por isso, a vida propõe mudanças, ainda que tudo pareça perfeito.

Essa proposta me fez atentar aos detalhes, explorar as minúcias de minha felicidade, prosperidade e conforto. Sim, a mudança parece fazer sentido. Porém, confesso que também existem fortes argumentos para que ela não ocorra. Para que tudo continue como está: “perfeito”. Cá, está o medo – de perder o que tenho.

Só que a vida é sábia.

Ao olhar profundamente para mim, percebi que “meu perfeito atual” é diferente de completo.

A vida é sábia.

Nos detalhes encontrei espaços vazios, espaços que clamam atenção, carinho e amor.

Minha alma romântica sente falta da proximidade explorada em passos (não em centenas de quilômetros), sente falta da palavra dita no olho a olho; ela quer carinho, o carinho da presença.  

Minha alma escritora pede mais tempo para ser cuidada, mais inspiração para se alimentar, mais “eu” por inteiro.

Minha alma artística requisita espaço para a criatividade aflorar, para a inovação acontecer, da maneira mais única: que só eu posso propor. Afinal, ela ainda é imatura, sem habilidade para conquistar seu próprio tempo de dedicação em meio a tantos afazeres.

Minha alma saúde, que roga por equilíbrio – físico, psicológico, espiritual –, vira e mexe solicita: “cuide mais de mim”, “cadê o ritmo?”, “atenção aos hábitos”.

Minha alma família me chama de volta.

Minha alma infância me provoca a ser resgatada, de uma forma resignificada e poderosa. 

Parece que chegou o momento de atendê-las. O momento em que Kairós (o tempo da natureza, incalculável) se impõe perante Chronos (o tempo do homem, mensurável no relógio) e traz paz a minha vocação, a minha missão.

Juntas, essas partes que habitam meu Ser, abrem a porta para uma nova vida, onde elas serão mais vivas. Felicidade, prosperidade e conforto encontrarão um campo muito mais fértil para se expandir.

É...
Nessas horas o apego bate.
Nessas horas a matéria provoca.
Porém, são nestes momentos, que nossa essência espera por um simples:

EU VOU!

E levo comigo a imperfeita perfeição que cultivei; as certezas mutáveis que aprendi; a macia rigidez que apreciei; as dores que ensinam, os sorrisos que inspiram, as palavras que motivam; levo comigo o sentimento de retorno que voltará sempre para uma visita.

EU VOU!

Sabendo do meu papel no desenvolvimento de quem e daquilo que está onde estou. Ciente de que minha potencialidade deve ser direcionada e elevada ao nível de Servir o Todo, com a máxima força interior. 

Vou, e é agora, pois a vida é grandiosa demais para ser alimentada por promessas futuras.

Com consciência e responsabilidade:


EU VOU!

E por aí, que partes de sua vida precisam ser cuidadas? 

"A vida é grandiosa demais para ser alimentada por promessas futuras."
O tempo...que cada um pode dar um novo significado.