quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Valeu demais...

Queridos leitores, este blog ficará parado até início de Janeiro/2011. Embarco agora em uma aventura pela Europa (15 países, 20 cidades, 40 dias). Para acompanhar as experiências por lá, deixo aqui o endereço de meu novo blog: http://www.diguporai.blogspot.com – Um blog interativo onde os internautas participam ativamente da viagem. Confira! Retornarei com relatos da China, Tibet, Hong Kong e Indonésia - onde irei trabalhar por 3 meses. Obrigado!

Escrevo meu último texto na Mongólia em meio a lágrimas.

Há poucos minutos atrás presenteei meus aluninhos com pulseirinhas do Brasil. Foram 40 metros cortados minuciosamente, com todo o amor do mundo. Nada perto do amor e carinho que essas crianças me deram, conseguindo impedir que a saudade de casa batesse. Reconectar-me com a infância, a pureza de alguém que está aprendendo, conhecendo o mundo é algo único, inexplicável.
 Todo dia ao voltar do banco (de tarde), eu abria a porta de minha casa-escola e na mesma hora vinha um dos pequenos me abraçar. Sempre dizendo alguma palavra em inglês que tinha aprendido no dia anterior. “Umbrella”, “Orange”, “Hello how are you?”, “Circle”, “Rebolation” (só pra não perder a oportunidade). Uma rotina mágica que faz qualquer problema que o país possa apresentar tornar-se apenas detalhe. A escola era meu cantinho, meu paraíso. As crianças, meus amigos, meus filhinhos, meus irmãos mais novos. O que eu aprendi com esses pequenos, nenhuma faculdade ensina e nunca ensinará. Muita coisa reaprendi. E tudo isso me relembrou um texto que li quando visitei o Projeto Ação Moradia em Uberlândia no início do ano. Dividi-lo-ei com vocês:  

Ser criança

Ser criança
Na Inocência
Na adolescência
No tempo adulto
E na velhice

Ser criança
Saber brincar
Sonhar com a vida
E em nada pensar

Ser criança
Pensar em Deus
Agradecer ao Pai do Céu
Que a vida lhe deu
Ser criança
Se divertir
Estar alegre
Tentar sorrir

Ser criança
Saber buscar
O melhor pra vida
Sem se preocupar

Aproveitar o tempo a viver legal
Aprender coisas boas pra vida mudar

Ser criança, saber se educar
Ser criança, Ser natural.


A cada dia que passa, busco recuperar a plenitude da criança que sempre fui - respeitando todos a minha volta, mas olhando desconfiado para o desconhecido, mantendo a inocência de um eterno aprendiz e abrindo o maior sorriso do mundo depois de pequenas e simples conquistas. Despertar a criança que existe entre nós é despertar a alma, nosso verdadeiro eu, nossa pureza, nossa essência. É perceber que não gostamos de ficar parados, que precisamos de movimento, de ação, de sentido, de sorrisos! Mesmo quando recebemos “patadas” reagimos com um abraço. E essa é a maior arma de um ser humano: o Amor. Espalhemo-lo, portanto.

Não vou escrever muito. Deixarei alguns vídeos interessantes para vocês verem e um conselho: faça um intercâmbio! Saia da caixa!
Peço desculpas pela organização do texto, um filme imenso passou na cabeça ao escrevê-lo. A emoção é incontrolável, mas quero deixar o post assim, real.

Versão diferente de "Passarinho quer dançar e o rabicho balançar", famosa música de Gugu:


Dito e feito. Crianças da Mongólia aprendem e dançam Rebolation com mestre:


Mensagem final com apresentação cultural \o/


Bom, disse para você fazer um intercâmbio, certo? Na onda de poemas e belos textos, deixo aqui descrita uma música que marcou minha viagem, fez-me refletir e me forneceu motivação pra continuar buscando experiências marcantes:
Ando Devagar – Almir Sater

Ando devagar porque já tive pressa,
E levo esse sorriso, porque já chorei demais,
Hoje me sinto mais forte, mais feliz quem sabe,
Só levo a certeza de que muito pouco eu sei, ou 
Nada sei, conhecer as manhas e as manhãs,
O sabor das massas e das maçãs.
É preciso amor pra puder pulsar, é preciso paz 
Pra poder sorrir, é preciso a chuva para florir.

Penso que cumprir a vida, seja simplesmente 
Compreender a marcha, ir tocando em frente,
Como um velho boiadeiro, levando a boiada
Eu vou tocando os dias pela longa estrada, eu vou,
Estrada eu sou...

Beijos e abraços. 

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Minúcias

Estive estressado. Trabalhando como nunca. Três empregos diferentes. Duas escolas e um banco.

Estava com saudade do tempo de fazer nada. Saudade de pensar na vida. Saudade de sair à toa para tomar uma cerveja e jogar conversa fora com os amigos. Saudade de explorar Ulaanbaatar, praticar meu mongol por conta própria. Saudade de fazer coisas por amor, não por trocados.

Foram semanas difíceis. Fui assaltado, levaram U$ 40. O que não é nada comparado ao carro, iPhone e laptop que levaram de mim em São Paulo. Mas acreditem, 40 dólares é demais para um viajante. São duas semanas de almoço supimpa por aqui. Paciência.

Porém no fim, são nessas horas que aprendemos e amadurecemos mais. São nesses momentos que nos tornamos detalhistas tentando entender o que esta acontecendo conosco.  E ao perceber os detalhes, crescemos, ficamos chocados, entusiasmados, felizes, tristes, motivados. Ao perceber os detalhes, notamos a realidade a nossa volta. E foi ali que aprendi que os detalhes sustentam nossa vida, nos fazem tomar decisões e nos mantém erguidos, prontos para nunca dizer “eu desisto”. Prontos para dizer "não tem fim, e é perfeito".

Aqui vi gente defecando na rua, em plena luz do dia (não pense que é exclusividade daqui, né Brasil). Percebi que as plantas nos jardins e canteiros não são regadas pela água, mas sim pelo lixo. Percebi que o trânsito caótico é oriundo da falta de gentileza, da educação precária. Brigas pelas ruas são comuns e bêbados no meio dos arbustos são mais fáceis de achar do que os próprios arbustos. Descobri que 90% das movimentações bancárias aqui pertencem a 5% da população. Algo semelhante com outros lugares no mundo, certo?

Desigualdade, egocentrismo, falta de Amor.

E no meio disso tudo, o que realmente importa é como você encara o que vê. Faz parte da vida ou são fatores motivadores? Você olha pra um cara defecando e diz “ai que nojo” ou pensa “farei de tudo para mudar isso um dia”? Você observa o caos da cidade e pensa “esse lugar é um inferno” ou você se pergunta “qual o melhor caminho para alterar essa situação”? Perceber, todos percebem, fazer, infelizmente não é tão fácil assim. Nos construimos e reconstruimos a cada dia. Não pode parar!

E ainda mais no meio disso tudo, pequenos detalhes positivos te dão ainda mais força. São eles que valem e são eles que mantém a Mongólia espetacular acima de qualquer coisa. Fotos escrevam por mim...

Cada dia nesse país, uma visão diferente. É sol, verde, azul. (by Fabien)
Não, é amarelo, cinza e infinito.
Mentira, é branco. Como a neve!
Pose para foto.
É imponente, imenso e profundo. Tente achar o fim....
Não há fim.
Olha eu ali! (Terelj)

Com vida, com alegria, conectado com a natureza.
Pensando, agradecendo pelas minúcias de minha existência.
Homem e natureza formando algo no mínimo gracioso.
Algo bacana de observar.
Experiência única ver os últimos.
Olha a Turtle Rock ai gente!
E quem alimenta o âmago do poder destes detalhes, são as pessoas:

Surpresa boa, brasileiros! Na falsa churrascaria: Ludmila, Ieda e Paulo. Obrigado!
Todo dia quando chego do banco em casa, uma dessas gracinhas vem me abraçar
É um verdadeiro curso de como ser pai
Gustavo Bonafé Costa, 21 anos, estatura média, cabelos bons e castanhos, estudante de Administração de Empresas. Possui próprio cartão de crédito, no futuro todo o dinheiro do cartão será dele. Não cozinha e não lava roupa, mas apóia quem o faz. Corpo atlético com barriguinha de caipirinha. Sempre muito querido pelas sogras, às vezes nem tanto pela namorada. Mas isso é detalhe. É um rapaz de família. #ficaadica

Passar as tardes ao lado dos seres mais puros do mundo é espetaular
Diversão entre amigos.
Fabien. Parceiro de academia e baladas. Em breve no Brasil. Irmão!
JV, grande irmão na Mongólia. O cara para conversas filosóficas.
JV e Angela no Karaokê! Muita diversão! Juro
Show!
Tradução da minha cara: JV cantava em mongol. 
Para finalizar, um vídeo com algumas histórias: 



A vida é cheia de altos e baixos. Já ouviu isso? Então para mim ela é só de altos agora, tudo depende do ponto de vista. Dê uma olhada no vídeo abaixo e depois reflita sobre suas atitudes, caminhos e anseios. Boa semana, fiquem com Ele. 


Beijos e abraços.
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quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Lago Hovsgol

Buenas buenas caros leitores. Como estão?

Antes de começar. Fica a dica: blog de minha querida amiga Beca, que está no Egito vivenciando o Ramadan e muito mais.

Mais uma aventurinha para dividir com vocês. Final de semana passado fiz uma viagem que, indubitavelmente, ficará marcada para o resto da vida. O texto é longo, mas juro que vale a pena ler. Além de conferir os vídeos e fotos.

Dia 2 de setembro, dois jovens nomeados Gustavo (vulgo eu) e Pago (da República Tcheca) saem em direção a estação rodoviária de Ulaanbaatar, a capital da Mongólia (eu sei que você já sabe isso, mas é pra dar ênfase na CAPITAL). Às 13:50 chegamos no local.

A rodoviária. Da Capital!
Repentinamente fomos cercados por uma série de mongóis, um empurrando o outro, mas todos dizendo a mesma coisa: Hovsgol, Hovsgol! Queriam clientes. Mas como não sou bobo e sei que os nativos sempre tentam tirar uma graninha a mais dos estrangeiros (nada incomum para muitos países), já havia comprado as passagens de maneira segura. Ao mesmo tempo em que as tirava da mochila, usava meu mongol avançado e dizia: “Ugui, ugui” (significado: não). Com os bilhetes em mãos mostrei a eles que eu já tinha um “belo” ônibus me esperando. Eis que, um dos moçoilos arrancou os papéis de minha mão, deu uma lida e apontou para uma Coisa. Pensei: “Não é possível! Eu não gastei meu dinheiro para viajar nisso! Vamos procurar nosso ônibus!”.

"Nisso"
Sonho meu! Um casal de franceses que estava lá confirmou que aquele seria nosso meio de transporte. Ok! Sem problemas! Aventura! A graça da vida! E aqui, começa a história. Calor infernal e pontualmente após duas horas de atraso deixamos UB em direção a “Moron”, onde deveríamos pegar alguma carona ou van até Hovsgol. Moron está localizada a 673 km da capital. Portanto, a viagem prometia ser longa. Lembrei que antes de chegar aqui, li no Wikipedia que os motoristas se perdem no meio da estrada algumas vezes. Comecei a viagem me perguntando: “Como que pode se perder na estrada? Hahaha jamais!”. Bastou algumas horas de viagem para começar a me perguntar: “Que jeito que o cara não se perde aqui?”. NÃO EXISTE ESTRADA NA MONGÓLIA! O que temos aqui é uma porção de buracos intercalados entre terra e grama. Sério! Asfalto? 5% da viagem. De noite, iluminação zero. Breu! Sinalização? Nenhuma! Nem uma mísera placa. No vídeo abaixo, filmei um pouco da “parada” para ir ao banheiro, veja a estrada e a escuridão.


Parada para refeição. Cardápio em mongol. Como escolher o prato?
Olha o preço, aponta e reza. Deu certo!
Trecho bom da "estrada" 
Fora a parte externa do busão, o que mais chamou a atenção foram as condições internas. O atraso de 2 horas não foi por acaso. O motivo “plausível” foi que o motorista queria o máximo de passageiros no ônibus. Entenda máximo como além da capacidade. Resultado: todos os lugares ocupados (cerca de 40), malas em todos os cantos (TODOS) e pessoas no corredor (deitadas/sentadas nas malas). Além disso, comida daqui, comida dali, cheiro delícia! Quer mais? Terminei a viagem com dois joelhos inchados. Minhas pernas não cabiam no pequeno assento – viagem inteira com eles batendo na poltrona da frente. Pernas imóveis. Sem exagero, não tinha como mexer. Embaixo era mala, de um lado uma pessoa, do outro outra. Bebê chorando, um roncador profissional, um bêbado cantor, um tossindo na minha nuca e chacoalha ônibus! E não pára! Foi um terremoto intenso. Pior foi quando resolveram soltar “aquele”. Inhaca!

Ao lado dá para notar o corredor com gente. 
Tenso. Para terminar: 19 horas de ônibus até Moron. Depois, mais 3 de Van até Hovsgol. Total de cada trecho: 22 horas. Abaixo o vídeo do bêbado cantor:


Só a viagem em si, tanto a ida quanto a volta, foram memoráveis. Não tenho dúvidas de que aqueles foram os momentos de maior desconforto físico-mental da minha vida. Mas no final valeu a pena demais. Por quê? Primeiro porque aquilo é a realidade do povo nômade da Mongólia – locomoção precária, condições de vida básica. Segundo porque toda aquela situação me fez perceber que eu estou aqui. E isso gerou muita alegria. Durante as viagens foram no mínimo 3 vezes percebendo os detalhes e tendo ataque de riso. Sabe daqueles que você tem que colocar um pano na boca para não incomodar? Até saiu lágrimas de tão engraçado o cenário que tudo aquilo formou.

Enfim, chegamos a Hovsgol: o maior lago da Mongólia (norte do país) e um dos mais limpos do mundo! Segundo nativos, cerca de 2% da água “bebível” do mundo se encontra ali. E não demorou muito para entender o comentário. Hora das fotos escreverem para mim:

Primeira paisagem de Hovsgol.
Água limpinha. 
Né mesmo? 
Minha companheira.
Caminhamos cerca de 6 horas para achar um lugar bacana para acampar.
No caminho...
o infinito da natureza...
paisagens deslumbrantes.
Perceba as diferentes cores da água. Eram 4.
Contando com a "marrom" após a chuva. 
Está esperando o que para viajar? Vem para Mongólia!
Bonito, não? Achei que já tinha visto toda a magnificência do local. Daí, a noite chegou. Infelizmente a máquina não deu conta de solidificar o que eu estava vendo. Olhando para o céu, senti-me fora do Planeta (não que eu saiba como seja), mas poder ver a mistura do silêncio e a escuridão banhada pelas estrelas foi qualquer coisa de extraordinário. Fiquei cerca de uma hora e meia, deitado na grama, aquecido pela fogueira, observando aquela imensidão. Nem uma nuvem para atrapalhar. Estrelas cadentes? Perdi a conta de quantas vi (nunca tinha visto uma). Satélites? Não sabia que era possível vê-los com tanta clareza! Para completar, ao fundo das montanhas, uma tempestade (que depois chegou para gente) – raios, trovões. Flashes que ficarão na memória.
Foram apenas dois dias e meio ao lado daquele lago. Grandiosos. Libertadores. E frios! Temperatura estava em torno de 0 (deu pra ver nas fotos né?).

Fim.

Ou não! Você acha mesmo que eu ia visitar um dos lagos mais limpos do mundo e não entrar na água? Quase congelei, mas o fiz. Veja o vídeo com os momentos de aquecimento, entrada e pós-aquecimento:


Na volta, quase perdemos o ônibus. Foi difícil achar transporte para Moron. Quando achamos um táxi, demorou 4 horas 30 a viagem de 100 km. Faça as contas. E dá-lhe buraco. Chegamos 2 horas e 15 minutos após o horário marcado para a saída (vingança). Adivinhem? Estavam esperando agente! Putos! Mas estavam lá. =)

Encerrando, outras fotos com mais detalhes da viagem.

Cidade de Moron. Eles não gostam de asfalto. 14 mil habitantes. 
?
Estão por toda a parte.
Yak, animal típico do país. Deu um sustinho em mim quando pulou a cerca.
Buddy. Achou agente no início de sábado e só largou no domingo de tarde.
Quase chorei na despedida, ele correu atrás do táxi um tempão =/ 
Pago, grande parceiro de aventura. 
Beijos e abraços. Até a próxima. 

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quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Mongólia é realidade. É vida!

Obs.: lembra que disse que não falaria mais sobre reflexão aqui? Era mentirinha. 

Natureza e Homem. Mãe e filho. Criadora e criado. Dona da Terra e habitante da Terra.


Quão mágico é o poder do uníssono formado pela fauna e pela flora.

Quão poderosa é a sensação de liberdade quando nos encontramos com Ela.

O ar puro penetra nosso corpo e atinge a alma. Os singelos sons penetram nosso corpo e atingem o coração.

Ela quer falar. Quer avisar. Presenteia-nos com momentos magníficos não só porque Ela é a bondade na forma pura. Mas nos presenteia porque precisa de nós para sobreviver (será?).

Ela é humilde. Ela olha pro lado, enxerga-nos. Nós olhamos somente pro centro, pro nosso ego. Alimentamos nosso status, enquanto Ela nos alimenta.

E num futuro breve, Ela se recriará. Nós, já estaremos destruídos.

Todos sabemos disso. Mas, sabe-se lá como e por que, simplesmente continuamos com nossa vida, nossas costumes, nossas restrições, nossas compras. Nossas angústias fúteis. “Mundo de bonequinhas.” Tudo perfeitinho. Tudo no prato. Nada falta. Agora! Espere mais um pouco. Ou não! É o livre-arbítrio. Quem tem, pode. Pode mudar! 

Conectar-me com a natureza na Mongólia foi algo diferente. Intrigante e revigorante ao mesmo tempo. Não só por ter sido a primeira vez que andei a cavalo, excluindo charrete. Galopei até! Mas também porque ali, ficou evidente a imensidão das montanhas, o infinito do azul, a dança das plantas e o vento. E, alguns quilômetros depois, a civilização. Nós, seres humanos, achamo-nos inteligentes. Racionais. Ô cegueira! Porque a real é: extraímos nossa matéria da perfeição e o que conseguimos construir? Desigualdade. Imperfeição. É a única coisa que vejo. Você vê algo diferente? Por favor, diga para mim. Estou tentando encontrar a tal inteligência humana em tudo que observo. Porém, a ignorância predomina na maior parte do tempo.

Fica a dica.

Ah! A Mongólia não é o fim do mundo (como já ouvi, mesmo que de brincadeira). Aqui tem vida. Aqui tem irmãos. Pessoas batalhadoras. Pessoas corruptas. Heróis nacionais. Rivalidade com outros países. Desafios a serem enfrentados. Bons exemplos de cultura. Tem pessoas religiosas. Pessoas desacreditadas. Tem pobreza. Tem riqueza. Ó, tem balada boa! Tem internet. Água quente! Pergunto-te: alguma coisa muito diferente do nosso país?

O que tem de diferente é detalhe, é sutil e prometo descrever tudo aqui.

Existem mais semelhanças do que podemos imaginar. Sabe o motivo? Todos os seres estão conectados. Eu escrevi: “TODOS”!

Deixarei as fotos falarem mais (com algumas curiosidades e um causo engraçado/trágico)

Uma ótima semana. 

Paisagens como essa são típicas da Mongólia. Olha o azul!
O nome dessa pequena casa é Ger (lê-se guir)
Ela pode ser "empacotada" com facilidade. O que dá mobilidade as famílias para mudarem de região quando quiserem. Isso é comum. Obs: Olha o menininho cuti-cuti! 
A logística não ajuda na foto. Mas esse é um quarto com 4 camas e uma lareira ao centro. Cada Ger é um cômodo, geralmente uma família tem 2 (quarto e cozinha). O banheiro sobra pra natureza. 
Cavalos esperando os cavaleiros.
Eles estão por toda a parte. Você pode comprar um por R$ 400,00. 
Para o cavalo andar você deve: bater o pé na lateral dele e gritar "Tchuuu" com vontade. 
Para você parar o cavalo deve dizer "Zogs", logicamente puxando a "cordinha" junto. 
No começo não nos entendemos, mas depois foi sintonia pura. Valeu parceira!
Curta o mongol na prática:


Aproveitando a parte dos cavalos, contarei um causo:

Na Mongólia, uma tradição bem forte é jamais rejeitar um alimento/bebida quando alguém te oferecer. Eis que chega em casa meu amigo Geede (em breve um post sobre ele) com uma garrafa de....Leite de Cavalo! Segundo ele, "a cerveja da Mongólia". O motivo: durante o processo de retirada do "leite", o líquido ganha um teor alcoólico (sei lá como explicar). E é que nem antisséptico bucal. Se você tomar leite de cavalo e soprar no bafômetro o nível será maior que cerveja. Enfim, ele trouxe e fez questão que eu tomasse. Um copo cheio. Primeiro gole e senti o "gosto do cheiro" do esterco. O pior foi que fiquei curioso em saber como se tirava leite deste animal. Arrependimento em descobrir (veja o vídeo). O pior 2 foi que prometi a mim mesmo que iria até o fim em tudo novo que experimentasse durante a viagem. O pior 3 foi que após terminar o copo cheio, Geede chegou com outro. Lembra a tradição? Desculpa, mas foi foda! 


Quero realmente acreditar que era leite!

No fim, tudo lindo...imenso! 
.....
A volta pra cidade não me deixou muito feliz. Acho que eu seria um bom Mogli ou primata.
A natureza é meu lar. Entende?



Só precisaria de um cavalo...

Beijos e abraços.

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